A Nossa História

Século XVII

A primitiva Herdade da Torre, situada na freguesia de Nossa Senhora da Anunciação do concelho de Redondo, foi património da coroa entre os Séculos XVII e XIX. Durante este período, os lavradores da Torre e todos aqueles que nela trabalhavam ou colhiam rendimentos, eram forçados a pagar um imposto (décima) ou uma renda anual ao monarca vigente. Este imposto incidia fundamentalmente sobre os lucros e dividendos que cada usufrutuário colhia do seu trabalho, podendo ir de uns módicos 350 réis pagos por um cabreiro aos 50.000 réis de arrendamento desembolsados pelos grandes lavradores.

Século XIX

A Herdade da Torre pertencia ao restrito núcleo das propriedades inscritas no Cadastro Geral das Capelas Nacionais, distinção que apenas estava ao alcance de terrenos privilegiados e cujos instituidores foram na maioria dos casos elementos da nobreza ou da alta burguesia que se encontravam muito próximos do rei . Se a isto juntarmos o facto da Torre contar com uma enorme extensão de terreno cultivável, fruto de uma excelente qualidade dos seus solos, rapidamente chegaremos à conclusão de que esta propriedade seria alvo de grande cobiça por parte dos grandes lavradores da região.

1876

A produção de cereais, nomeadamente, trigo, centeio e cevada foi indubitavelmente a exploração prioritária até meados do Século XIX. A partir desta altura a cultura da vinha, até aí muito fustigada por bactérias de vária ordem, começa a ganhar uma maior resistência a estas pragas, em grande parte devido à introdução de novas inovações técnicas das quais se destaca a plantação das chamadas “videiras americanas”. O concelho de Redondo começa a produzir vinhos de excelência que são distinguidos nas principais Exposições Internacionais da especialidade como são os casos de Viena de Áustria (1873), Filadélfia (1876) e a Exposição do Palácio de Cristal do Porto (1880).

1880

Como não poderia deixar de ser, também na Herdade da Torre a produção vitivinícola se intensifica, especialmente sob a tutela do ilustríssimo proprietário Eduardo José Rosado Barrancos, um dos mais respeitados e poderosos lavradores da sua geração. Nas suas adegas passam a ser produzidos milhares de litros de vinho e seus derivados, cuja qualidade e sabor são imediatamente apreciados por forasteiros oriundos dos concelhos circunvizinhos, que num ápice, se tornam nos principais compradores.

1891

A partir de 1891 Eduardo Barrancos e a sua esposa decidem começar a dividir esta grande propriedade em Courelas de vinha, azinho e cereais, terrenos bem delimitados (aproximadamente 20.000 metros quadrados cada)  e vendidos posteriormente em parcelas a diversos interessados.

De 1894 a hoje

Com o falecimento de Eduardo Barrancos em 1894, o processo de divisão em courelas intensifica-se ainda mais e é nesta conjuntura que o bisavô dos actuais proprietários após ter ganho um prémio na lotaria comprou estas terras, que passando de geração em geração, até à data de hoje, continuam sendo conhecidas como as Courelas da Torre.